sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

De pipocas, sorvetes e jornais (*)
(25/06/2005)

A lição que os pipoqueiros já sabem há muito tempo, os donos e diretores de jornais insistem em desprezar: não há como sobreviver oferecendo apenas um tipo de produto em uma única embalagem. Enquanto nas esquinas qualquer consumidor pode escolher entre pipoca doce ou salgada, em pacote grande, médio ou pequeno, continuamos a encontrar nas bancas um único tipo de jornal, com um único preço de capa, sem levar em conta o tamanho do bolso e a vontade do leitor.

Cansei de ouvir amigos cariocas se queixarem de que gostariam de comprar a Folha de S.Paulo aos domingos, mas o jornal é caro para quem só se sente seduzido por um ou outro suplemento. Participei de seminário promovido pelo Sindicato dos Jornalistas e ouvi diretores de jornais do Rio de Janeiro se queixarem da concorrência predatória, da falta de preocupação dos jornalistas com o produto. Enfim, desculpas diversas para justificar a falta de ousadia e criatividade.

Pois bem, insisto, num passeio pela Cinelândia, seguindo o cheiro de bacon, queijo e chocolate com açúcar, pode estar a solução para um dos maiores problemas das empresas jornalísticas: a queda de vendagem. Basta que os diretores e proprietários, assim como os pipoqueiros, ofereçam edições completas, edições econômicas e até edições super-econômicas de nossos diários.

Tomemos como exemplo a edição metropolitana de O Dia (RJ), de 27 de fevereiro de 2005. Feita a conversão das páginas tablóides para o tamanho standard, temos 114 páginas, incluindo três cadernos de noticiário e os suplementos Ataque, Empregos, Automania, Imóveis, Caderno D, Televisão e Classificados. Preço: R$ 2,50 ou R$ 0,02 por página. Quem precisa de tudo isso? Quem lê todas as páginas?

Chicabonzinho - E se, além da edição completa, o jornal oferecesse também uma edição econômica com notícias e entretenimento, incluindo o noticiário, Caderno D, Televisão e Ataque? Seriam 60 páginas por R$ 1,20. Um outro pacote possível englobando notícias e negócios (cadernos que incluem classificados) teria 84 páginas, que poderiam ser arredondadas para R$ 1,70.

Se isto não bastasse, o jornal poderia criar uma edição super-econômica de 24 páginas, voltadas para os jovens, priorizando o resumo das matérias da semana e de domingo, o noticiário esportivo e de cultura e lazer. Esta edição seria no formato tablóide e poderia ser oferecido a um preço entre R$ 0,40 e R$ 0,50.

Estas opções atrairiam os leitores, que contariam com um jornal na medida exata de que precisam, além de ajudar a resolver problemas estratégicos. Por exemplo: caso os jornais gratuitos conseguissem penetrar no mercado brasileiro, o jornal já teria um produto para enfrentar a concorrência, desde que deixasse de cobrar pela edição mais barata.
Para reforçar meu argumento, lembro que nem o sorvete campeão de vendas escapou dessa lógica. Está aí o Chicabonzinho que não me deixa mentir.

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