A imagem mais impactante, na minha opinião, está na capa do The Wall Street Journal
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O Haiti e as primeiras páginas
Tendência das capas dos jornais na cobertura sobre o terremoto do Haiti é ressaltar imagens de vítimas, seguindo a cartilha de que o leitor se identifica com a história, se coloca no papel das vítimas (pensa que poderia ter sido com ele). Essa tendência é bem sintetizada na página do Correio Braziliense. As cenas de destruição em plano aberto, que costumam ser exploradas no cinema e foram usadas com ênfase quando houve a derrubada das torres gêmeas foram menos exploradas. Isso também se deve a preocupação excessiva com a qualidade da foto e a preocupação com os limites de ampliação de material proveniente de celulares ou do twitter.Em A Tarde, optei por ela, já que defendo que uma capa temática deve ressaltar os diferentes componentes do drama. Por exemplo, poucos jornais deram na primeira página fotos dos soldados brasileiros que morreram em missão militar no Haiti. Acho isso relevante, mas houve uma preferência dos editores em mostrar o sofrimento dos haitianos em vez dos jovens militares através das fotos. Por quê?.
A capa pôster do Extra se vale de uma foto semelhante publicada no Jornal do Brasil, salvo engano no final da década de 1970, que rendeu um prêmio esso de fotografia para Carlos Mesquita. Nela, um pai carregava o filho morto no colo após um deslizamento na região serrana do Rio. Faz recordar também recurso utilizado pelo Jornal da Tarde em ocasiões como a derrota do Brasil na Copa da Espanha e no dia em que o Congresso não aprovou as eleições diretas. Foram capas sem manchetes; apenas imagem e legenda.
Após ter visto mais de 200 fotos para definir a edição de ontem de A TARDE, a imagem que mais me chamou atenção nas edições de hoje foi a do Wall Street Journal. Se tivesse que optar por uma única foto na capa, teria escolhido essa.
Hilária foi a solução do jornal Tribuna da Bahia, que ao tentar misturar a festa do Bonfim com o terremoto, mandou essa manchete: "Que o Senhor do Bonfim nos livre de uma tragédia dessa".
sábado, 26 de dezembro de 2009
Ministros acumulam gastos com cartões e diárias
Levantamento feitono no Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU), mostra que pelo menos dois ministros acumularam recebimento de diárias com gastos de cartões corporativos em 2009. Até julho deste ano, eles não levaram em consideração recomendação feita pela CGU, em fevereiro de 2008, para que ministros não utilizassem os cartões. A orientação foi dada após escândalo que resultou no pedido de demissão da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.
A saída da ministra ocorreu após a constatação de que ela gastou R$ 171,5 mil em viagens. As despesas eram equivalentes a R$ 14,3 mil mensais, R$ 3,56 mil acima de seu salário. Foram descobertos gastos irregulares, como a compra de produtos em um free shop.
SAÚDE - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que recebeu R$ 28.367,97 em diárias este ano, teve gastos de R$ 3.740,82com o cartão até 21 de julho, quando opresidente Lula assinou decreto proibindo o uso de cartões e aumentando o valor das diárias dos ministros. Em 2009, Temporão pagou com o cartão 12 diárias de hotéis de quatro e cinco estrelas em São Paulo, Porto Alegre, Porto Velho, Salvador, Belém, Vitória e Fortaleza.
Seus hotéis preferidos foram o Della Volpe, em São Paulo (quatro diárias), e o Pestana, em Salvador (duas vezes). Quatro despesas foram feitas em restaurantes. A maior conta com hospedagem – R$ 419,20 – foi paga ao Brasilton Hotel, em Belém (PA). Com alimentação, a mais
alta (R$ 191,17) foi na Churrascaria Indiana, em São Paulo.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, recebeu R$ 13.721,70 em diárias, entre fevereiro e setembro, e gastou R$ 889,45 com ocartão. Ele pagou diárias no Serghs Grand Hotel, em Natal (RN), e no Rota Brasil (SP) e uma conta de R$ 221, no restaurante Camarões Potiguar.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Agruras de um editor na pele de repórter
Alguns exemplos de falhas na edição, causadas pela necessidade de cortar as matérias.
No lide disse que os blocos afros de Salvador criariam uma Liga a partir de modelos de organização como a Liga da Escola de Samba do Rio de Janeiro.Mais adiante, acrescentava declaração do presidente do bloco Vulcão da Liberdade, Paulo Cambuí, de que eles tiveram contatos com modelos de gestão de diversas entidades, mas teriam que construir um sistema próprio para atender as especificidades do carnaval baiano. Tudo isso foi cortado e foi publicado faria a criação de uma entidade "nos moldes da Liga da Escola de Samba do Rio de Janeiro".
A segunda, é pior falha - e vou ficar por aqui para não parecer implicante - está no quadro sobre o que é necessário para concretizar os cinco principais projetos dos blocos. Estava escrito:
"Festival de música negra - Precisa de financiamento. É o porjeto mais caro. Está em torno de R$ 110 mil. Prevê a montagem de palco e estrutura, a participação de convidados e os custos com os processos para seleção das músicas"
Foi publicado:
"Festival - Concurso para escolha demelhor música negra das entidades".
Meu Deus, de onde saiu isso!
sábado, 21 de novembro de 2009
A interferência da emoção
Trabalho em jornais desde 1980 e me transformei em editor em O Dia (RJ) em 1993. Já apurei e acompanhei muitas tragédias, inclusive vividas por jornalistas. Em 1997, por exemplo, testemunhei uma editora de A Notícia, que fazia parte do grupo O Dia, reconhecer na foto de um corpo carbonizado o próprio irmão, um agente da polícia federal morto por traficantes.A frequência de fatos lastimáveis me fez desenvolver uma espécie de mecanismo de proteção, no qual me distancio ao máximo da tragédia para que a emoção não atrapalhe a realização do trabalho.
Ontem, o sistema de isolamento falhou e editei a primeira página de A TARDE revoltado e muito triste. Explico. No Dia da Consciência Negra, em Salvador, mesmo não sendo feriado, entidades do movimento negro marcham lembrando a morte de Zumbi dos Palmares, reivindicando igualdade racial e protestando contra a violência que dizima os jovens. Ao mesmo tempo, exibem com orgulho suas origens.
Preparava uma página que abria com a manchete sobre os investimentos que a Ford fará no Brasil e na Bahia, a partir da prorrogação por cinco anos da isenção de impostos federais. Isso permite que ela deixe de recolher aos cofres públicos R$ 800 milhões anuais. No final das contas, quem paga para a multinacional crescer somos nós.
Revoltei-me. Ainda mais quando vi a foto da cerimônia em que Lula anunciava as medidas. Só havia brancos no palco. Empresários e políticos, a elite brasileira. Decidi abrir a foto em cinco colunas abaixo da manchete. E sob ela, uma foto maior ainda, mostrando a marcha do movimento negro. Seria uma representação da sociedade.
No entanto, um comentário do designer da 1ª página, Vado Alves, sobre a foto que acabara de entrar na página de Últimas Notícias me chamou a atenção. Ele disse: "Acho que estou ficando velho, não suporto mais ver isso".
Quando olhei para a imagem de um pai que amparava o filho morto por traficantes, desabei. Fiquei sem voz, as lágrimas vieram nos olhos. Detalhe: ele ficou nessa posição por quase cinco horas, esperando o rabecão.
Pouco antes, acabara de ouvir o depoimento da repórter Cleidiana Ramos, na qual ela descrevia que uma líder comunitária e religiosa negra, em discurso na Praça Castro Alves, se dirigiu ao governador Jaques Wagner, pedindo para que se desse um basta ao massacre de jovens vítimas da violência. Lula estava ao lado deles.
Me ocorreu a celeridade para garantir benefícios para a elite não é a mesma para resolver sérios problema, que tem como maioria das vítimas pessoas das classes menos favorecidas.
Lembrei também de meu filho e de como o amo.
E imaginei toda a dor que o pai que acalentava o rapaz morto sofria ali e sofrerá por toda a vida.
Rsolvi mudar a primeira página. Tirei a foto de Lula e da elite empresarial e política, com raiva. Eles não mereceriam o destaque, aparecendo como os bons capitalistas, que se preocupam com o desenvolvimento do País.
Mantive a da marcha da igualdade e a do rapaz morto na periferia. Elas resumiriam melhor a realidade das ruas - acreditei.
Agora, pela manhã, tenho sérias dúvidas se essa foi a decisão correta. Se a a manutenção da foto do presidente que concedia renúncia fiscal para uma multinacional fazer o que deveria ser feito com o dinheiro dela não teria um impacto maior de denúncia.
Só tenho uma certeza: a emoção interferiu no meu trabalho. Interferiu muito.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Bastidores da primeira página
A capa da edição de hoje de A TARDE (19/11) começou a ser concretizada às 20 horas de ontem. À princípio seguiríamos o modelo de uma das 16 templates existentes, na verdade são quatro modelos com pequenas variações sobre o mesmo tema. No entanto, pedi para Vado, meu parceiro e diagramador da primeira página, que desenvolvesse paralelamente a página que eu gostaria de fazer. Quando as duas ficaram prontas, era gritante a diferença em favor da que utilizava tudo que está previsto no projeto gráfico, mas não é contemplado nas páginas pré-fabricadas.Consultei os editores de Salvador, se eles estariam dispostos a fazer a troca de várias páginas da edição, além de colocar os repórteres para buscarem os dados que estavam faltando. Precisávamos de estatísticas e contar a história do juiz que atropelou e matou um empresário motociclista e que está livre, seguindo a rotina de professor e atuando no fórum, enquanto um motorista de caminhão-caçamba, envolvido em acidente semelhante que resultou na morte de uma estudante, em Itabuna, foi enquadrado em três crimes, sem direito a fiança. Vale lembrar que pela manhã, não havíamos localizado o juiz.
Um repórter, então, mergulhou na internet em buscas de estatísticas. Encontrou os dados mais atualizados de Salvador na página da Transalvador (órgão de trânsito da cidade). Derrubei uma matéria sobre o anúncio de criação de um projeto da área de segurança, ainda longe de concretização, e pedi para que o repórter que a estava fazendo fosse à universidade, onde sabíamos, através do editor de fotografia, que o juiz estava dando aula. Para buscar dados sobre mortes no Brasil, provocadas por acidente de trânsito, recorri à página do Datasus. Depois foi discutir qual seria o número que estaria representado no gráfico da primeira página, com o pessoal da arte.
A corrida contra o tempo animou o fechamento. Tudo ficou pronto em quatro horas. Isto não teria sido possível sem os esforço de Vado Alves (diagramador da 1ª), Carlos Casaes (editor de fotografia), Édson Borges e Luís Lassere (editores de Salvador), Filipe Cartaxo (infografista), Samuel Lima, Flávio Costa, Luísa Torreão (repórteres), Claudionor Santos (fotógrafo), que complementaram o trabalho do pessoal da manhã e da sucursal de Itabuna.
Mais tarde postarei a página do modelo de template para comparação.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Apagão
sábado, 10 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Rio 2016 - Análise das capas dos jornais brasileiros
Foram consultadas as primeiras páginas de 29 jornais brasileiros, pequenos e grandes, no site Newseum.org.É impressionante perceber que 22 das manchetes e chamadas foram calcadas em conceitos, jogos de palavras e informações vagas e 4 foram factuais. A conclusão é que nenhum destes jornais conseguiu dar algo diferente do que os sites, rádios, TVs, blogs tinham anunciado desde o início da tarde de ontem.
O Correio Popular (Campinas), o 35º mais vendido no país (IVC de agosto), seguiu à risca o que dizem consultores internacionais, jogou a cobertura para frente. Veja como a aplicação meramente teórica deixa a manchete com cara de suíte.
Já A Tarde (BA) e o Globo (RJ)utilizaram modelos híbridos de manchetes (mistura de "jogar para frente" e títulos conceituais, com jogo de palavras).
Quanto às imagens utilizadas, 20 usaram fotos da festa dos cariocas na Praia de Copacabana; 9 preferiram fotos das imagens que davam destaque a Pelé e Lula; 3 investiram na comemoração dos cartolas e políticos durante a cerimônia do Comitê Olímpico Internacional, na Dinamarca; 5 utilizaram as imagens do Cristo Redentor;
Todas imagens mostradas, exaustivamente, ontem. Esta seria uma das principais causas da queda de venda dos jornais.
Mas nem tudo está perdido. O interessante, porém, fica por conta da mistura desses elementos com criatividade, que rendem boas páginas. Ressalto as do Correio Braziliense e Diário de S. Paulo.
Dois jornais brincaram com seus logotipos. Um deles foi o Correio* (ex-Correio da Bahia), que faz isso sempre que pode. Ele adicionou mais quatro asteriscos à sua marca, simbolizando os anéis olímpicos.
O outro foi O Globo, que possui um dos projetos gráficos mais rígidos do país. Ontem, além de fazer um título criativo, usou o último O da logomarca como um dos cinco anéis olímpicos.
A edição de O Globo, que comprei agora à tarde, em Salvador, também traz dois cadernos de 38 páginas sobre o assunto, sendo 19 e um terço de anúncios, além de uma página só com fotos. O jornal carioca foi o que mais faturou com a parte comercial, inclusive com um reclame de 1/4 de página, da Nike, na capa.
Conceituais/vagas/jogo de palavras - 23
A olimpíada da alegria
A olimpíada é nossa
Sim, nós podemos
Rio Olímpico
Brasil abre os braços para as Olimpíadas
Olimpíada na cidade maravilhosa
A olimpíada do Brasil
Parece final de Copa do Mundo
Sonho olímpico vira realidade
O Rio chegou lá
Olha aí porque a gente ganhou
Brasil, país do futebol e do atletismo, natação, vôlei....
Rio é ouro
Olimpíada maravilhosa
Olimpíada de 2016 é nossa
O Rio é olímpico
O Rio merece
Cidade maravilhosa e olímpica
É o Rio
Olé
Nosso Senhor dos Anéis
Aquele abraço
Factuais - 4
A Olimpíada é do Rio
Emoção marca vitória do Rio para sediar Olimpíadas
Olimpíada de 2016 será no Rio
Rio desbanca potências e fará Olimpíadas
Joga para frente - 1
Olimpíada impulsionará trem rápido de Viracopos
Dois ou mais desses elementos - 1
2016, o ano que já começou. Agora só faltam sete para... fazer uma estação de metrô por ano, duplicar as vagas da rede hoteleira, despoluir a Baía e as lagoas da Barra, construir e reformar 33 instalações esportivas
Rio 2016 - Capas
Capas de jornais americanos, latino-americanos e europeus mostram a impressionante força que Lula tem no exterior, a importância dada pelos países das Américas à conquista e ressalvam a derrota de Obama. Vale a pena ver os jornais de Chicago Tribune, Daily Herald, NYT e Washington Post. Ah! Para quem quer se vingar da empáfia dos dirigentes espanhóis, a pedida é o El País.













