GJOL em casa nova
Há 13 anos
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Ao ser convocado para a fechar a capa de A TARDE para as eleições na segunda-feira passada (estou fora da edição há dois meses, desenvolvendo um projeto para o Grupo), comecei a pesquisar as capas dos jornais americanos na última eleição presidencial. Trabalhava com duas possibilidades: a eleição de Dilma no primeiro turno e a prorrogação da disputa, que era o plano B. Se Dilma ganhasse, ela teria algo em comum com Obama, os dois seriam os primeiros presidentes - um negro, uma mulher.
Inúmeros jornais e sites do Brasil e do mundo publicaram entre terça e quarta-feira suposta foto do terremoto do Haiti. Ela foi distribuída por pelo menos duas agências - EFE e AFP (France-Presse). Na verdade, a foto que ganhou a capa de várias publicações, incluindo A TARDE, e destaque em sites como o do Daily News e Washington Post era falsa. Tratava-se de uma imagem do sismo ocorrido na China, em 2008.
Valmar Hupsel Filho
Tendência das capas dos jornais na cobertura sobre o terremoto do Haiti é ressaltar imagens de vítimas, seguindo a cartilha de que o leitor se identifica com a história, se coloca no papel das vítimas (pensa que poderia ter sido com ele). Essa tendência é bem sintetizada na página do Correio Braziliense. As cenas de destruição em plano aberto, que costumam ser exploradas no cinema e foram usadas com ênfase quando houve a derrubada das torres gêmeas foram menos exploradas. Isso também se deve a preocupação excessiva com a qualidade da foto e a preocupação com os limites de ampliação de material proveniente de celulares ou do twitter.
Trabalho em jornais desde 1980 e me transformei em editor em O Dia (RJ) em 1993. Já apurei e acompanhei muitas tragédias, inclusive vividas por jornalistas. Em 1997, por exemplo, testemunhei uma editora de A Notícia, que fazia parte do grupo O Dia, reconhecer na foto de um corpo carbonizado o próprio irmão, um agente da polícia federal morto por traficantes.
A capa da edição de hoje de A TARDE (19/11) começou a ser concretizada às 20 horas de ontem. À princípio seguiríamos o modelo de uma das 16 templates existentes, na verdade são quatro modelos com pequenas variações sobre o mesmo tema. No entanto, pedi para Vado, meu parceiro e diagramador da primeira página, que desenvolvesse paralelamente a página que eu gostaria de fazer. Quando as duas ficaram prontas, era gritante a diferença em favor da que utilizava tudo que está previsto no projeto gráfico, mas não é contemplado nas páginas pré-fabricadas.
Questões tecnológicas à parte, os jornais usavam conceitos como capas temáticas há bem mais tempo do que imaginamos. A TARDE, há 70 anos, anunciou a eclosão da Primeira Guerra Mundial em duas edições.