sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016 - Análise das capas dos jornais brasileiros

Foram consultadas as primeiras páginas de 29 jornais brasileiros, pequenos e grandes, no site Newseum.org.

É impressionante perceber que 22 das manchetes e chamadas foram calcadas em conceitos, jogos de palavras e informações vagas e 4 foram factuais. A conclusão é que nenhum destes jornais conseguiu dar algo diferente do que os sites, rádios, TVs, blogs tinham anunciado desde o início da tarde de ontem.

O Correio Popular (Campinas), o 35º mais vendido no país (IVC de agosto), seguiu à risca o que dizem consultores internacionais, jogou a cobertura para frente. Veja como a aplicação meramente teórica deixa a manchete com cara de suíte.

Já A Tarde (BA) e o Globo (RJ)utilizaram modelos híbridos de manchetes (mistura de "jogar para frente" e títulos conceituais, com jogo de palavras).

Quanto às imagens utilizadas, 20 usaram fotos da festa dos cariocas na Praia de Copacabana; 9 preferiram fotos das imagens que davam destaque a Pelé e Lula; 3 investiram na comemoração dos cartolas e políticos durante a cerimônia do Comitê Olímpico Internacional, na Dinamarca; 5 utilizaram as imagens do Cristo Redentor; 4, a foto de Lula chorando; 4 usaram o símbolo da Rio 2016; 3, a do bandeirão com a imagem do Cristo, em Copacabana; 3 aplicaram ou brincaram com os anéis olímpicos; 1 usou um cartão postal do Rio; 1, a foto de Obama.

Todas imagens mostradas, exaustivamente, ontem. Esta seria uma das principais causas da queda de venda dos jornais.

Mas nem tudo está perdido. O interessante, porém, fica por conta da mistura desses elementos com criatividade, que rendem boas páginas. Ressalto as do Correio Braziliense e Diário de S. Paulo.

Dois jornais brincaram com seus logotipos. Um deles foi o Correio* (ex-Correio da Bahia), que faz isso sempre que pode. Ele adicionou mais quatro asteriscos à sua marca, simbolizando os anéis olímpicos.

O outro foi O Globo, que possui um dos projetos gráficos mais rígidos do país. Ontem, além de fazer um título criativo, usou o último O da logomarca como um dos cinco anéis olímpicos.

A edição de O Globo, que comprei agora à tarde, em Salvador, também traz dois cadernos de 38 páginas sobre o assunto, sendo 19 e um terço de anúncios, além de uma página só com fotos. O jornal carioca foi o que mais faturou com a parte comercial, inclusive com um reclame de 1/4 de página, da Nike, na capa.

Conceituais/vagas/jogo de palavras - 23

A olimpíada da alegria

A olimpíada é nossa

Sim, nós podemos

Rio Olímpico

Brasil abre os braços para as Olimpíadas

Olimpíada na cidade maravilhosa

A olimpíada do Brasil

Parece final de Copa do Mundo

Sonho olímpico vira realidade

O Rio chegou lá

Olha aí porque a gente ganhou

Brasil, país do futebol e do atletismo, natação, vôlei....

Rio é ouro

Olimpíada maravilhosa

Olimpíada de 2016 é nossa

O Rio é olímpico

O Rio merece

Cidade maravilhosa e olímpica

É o Rio

Olé

Nosso Senhor dos Anéis

Aquele abraço

Factuais - 4

A Olimpíada é do Rio

Emoção marca vitória do Rio para sediar Olimpíadas

Olimpíada de 2016 será no Rio

Rio desbanca potências e fará Olimpíadas

Joga para frente - 1

Olimpíada impulsionará trem rápido de Viracopos

Dois ou mais desses elementos - 1

Salvador, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte sediarão jogos de futebol – A festa é do Brasil

2016, o ano que já começou. Agora só faltam sete para... fazer uma estação de metrô por ano, duplicar as vagas da rede hoteleira, despoluir a Baía e as lagoas da Barra, construir e reformar 33 instalações esportivas

Rio 2016 - Capas mais criativas


Correio Braziliense

Rio 2016 - Capas mais criativas


Diário de S.Paulo

Rio 2016 - Lula consola espanhóis

Rio 2016 - Capas

Capas de jornais americanos, latino-americanos e europeus mostram a impressionante força que Lula tem no exterior, a importância dada pelos países das Américas à conquista e ressalvam a derrota de Obama. Vale a pena ver os jornais de Chicago Tribune, Daily Herald, NYT e Washington Post. Ah! Para quem quer se vingar da empáfia dos dirigentes espanhóis, a pedida é o El País.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um belo sorriso

A pele enrugada do rosto de dona Isabel se abre num sorriso de menina. Ela ri, mas está triste. Depois de nove meses, os implantes que a fizeram recuperar os dentes perdidos ao longo de seus 70 anos chegaram ao fim. Com nova feição e lágrima nos olhos, ela se despede da ascensorista e dos empregados do centro odontológico do bairro Itaigara, em Salvador, que ficaram seus amigos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Reflexões sobre uma manchete

Bandidos armados barram repórter. A manchete de hoje (21/9) de A TARDE me deixou intrigado. Isso é manchete? Perguntei-me assim que li. Sou carioca, trabalhei a maior parte de minha vida nos jornais do Rio, onde fatos como esse são corriqueiros e não são publicados.

No Rio, repórter só é notícia quando é torturado ou morto pelos bandidos. Casos como o de Tim Lopes e de Nilton Claudino e a equipe de O DIA é que rendem páginas e mais páginas até que os bandidos sejam presos.

No decorrer da cobertura, porém, não se discute a responsabilidade das chefias, a imprudência dos profissionais, a falta de esquemas para proteção dos jornalistas e outras questões.

Conflitos nos bastidores são empecilhos para que se investigue a fundo, do ponto de vista jornalístico, a morte desses profissionais. Por que até hoje não foi escrito nenhum livro sobre o caso Tim? Por que a morte do fotógrafo Anibal Philot, de O Globo, não teve o mesmo destaque? Por que O Dia prefere proteger seus repórteres por conta própria em vez de mandá-los para o exterior em programas de proteção mais eficientes, bancados por instituições internacionais?

Voltando ao título principal da primeira página de A Tarde, como disse, estranhei no início. Até porque o jornal tinha uma boa alternativa para a manchete, matéria sobre o patrocínio de um site de jogatina inglês (sportingbet.com) a jogos da Série B, do Brasileirão.

Ao tentar encontrar argumentos para justificar a opção, reli a matéria. Ela conta que uma equipe do jornal, ao tentar reportar um incêndio na comunidade do Areal, no bairro de Santa Cruz, em Salvador, foi abordada por seis jovens que portavam pistolas. Diante de vários moradores, os bandidos bateram com pistolas nas janelas do carro de reportagem e ameaçaram atirar, caso os jornalistas Flávio Costa, Fernando Amorim e o motorista não fossem embora.

Ora, o fato ocorreu nove dias depois do fim da série de ataques a postos policiais e ônibus, iniciada no dia 7 de setembro, devido à transferência de um traficante para o presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul. Aconteceu também numa área dominada por traficantes, o que o secretário de segurança pública, César Nunes, nega existir. Pergunto-me: esses dados justificam a manchete ou servem apenas para investirmos numa matéria mais ampla sobre os domínios do tráfico, em Salvador, que muda a imagem de terra dócil e pacífica, prejudica o turismo, afasta investimentos e desmonta a eficiência do aparato policial?

Me rendi à matéria – mas condeno a formulação da manchete pela fragilidade de sua estrutura– por um detalhe: a equipe prestou queixa na delegacia. Nessa atitude simples e cidadã, que os jornais e jornalistas do Rio não tiveram a coragem de tomar, quando o tráfico passou a expulsá-los em vez de convidá-los para festas regadas a churrasco e drogas, está a grande virtude do trabalho de meus colegas. O procedimento adotado deve virar uma norma para os jornais de todo o país para exigir a melhoria do trabalho policial e a garantia da segurança à população, mesmo quando não há heróis nem mortos.

Quem aprendeu na faculdade que jornalista não é notícia tem que reformular o conceito. O jornalista é notícia, sim, assim como todo cidadão que tem seus direitos violados.

sábado, 12 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Homenagem a um velho amigo

Frases com conceitos sobre o novo projeto gráfico e editorial de A TARDE foram espalhadas pelas paredes, bancadas e chão do jornal. Dei algumas sugestões técnicas e inclui uma frase bem-humorada, que era dita todos os dias por um grande amigo e úm de meus mentores José Gonçalves Fontes.

Fontes ganhou vários prêmios jornalísticos. Na minha primeira passagem pelo Jornal do Brasil era o mais premiado da equipe, constava como verbete de enciclopédia por ter denunciado fraude nas eleições da Guanabara nos anos 60 e ocupava a função de chefe de reportagem.

Ontem, para minha surpresa, alertado por Gil Maciel, responsável pelo setor de infografia, deparei-me com a frase logo após a entrada principal da redação. "Passarinho que acorda tarde só belisca fruta verde". Taí uma boa homenagem para meu já falecido companheiro.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

2ª Guerra Mundial

Questões tecnológicas à parte, os jornais usavam conceitos como capas temáticas há bem mais tempo do que imaginamos. A TARDE, há 70 anos, anunciou a eclosão da Primeira Guerra Mundial em duas edições.

No primeiro clichê com"serviço extrangeiro directo e exclusivo da Associated Press" publicou a foto de arquivo, mostrando "uma vanguarda do exercito alemão" invadindo território inimigo. Aqui é que ficam evidentes os problemas tecnológicos, a foto usada era da invasão ao território francês, em 1914, na 1ª Guerra.

No segundo clichê, entraram três fotos: um boneco de Roosevelt, uma vista da cidade de Dantzig, onde começou a invasão, que parece ter sido tirada de um livro e uma foto reunindo Mussolini e Chamberlain.


Divirtam-se com esta viagem no tempo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Edições econômicas

Os jornais Zero Hora (RS) e A Notícia (SC) lançaram edições econômicas/compactas para atender leitores com menor poder aquisitivo e enfrentar a concorrência, que tem preço mais baixo. Os lançamentos foram em fevereiro e julho deste ano.

O que parece inovador, porém, se baseia que defendi em 2005, no Observatório da Imprensa, e foi tema da coluna do designer Ary Moraes, na Revista Imprensa.
Não ganhei nem um obrigado.
O texto que fiz pode ser lido no endereço: http://bit.ly/jornais

sábado, 1 de agosto de 2009

Aniversário (23/09/2008 )

Que todas as bocas se abram para gritar, protestar, denunciar, e também exaltar as coisas boas – o amor, a vida, os filhos, o mar...– num tempo/convenção que só passa para quem quer.

P.S - Para minha querida filha Bárbara.

Outros séculos neste século
(30/07/2008)

A energia elétrica chegou em 1988, no distrito de Saco do Capim, em Irará, Bahia. O lavrador Pedro Cerqueira, que passara 54 anos de vida no escuro, ficou de olhos abertos na primeira noite longe das trevas, namorando a lâmpada acessa.

Nos 20 anos transcorridos entre a descoberta da luz e o jorro da água em sua torneira, ele viu um a um de seus 10 filhos deixar a pequena casa com paredes de estuque para se aventurar na capital.

Hoje, pela primeira vez, tomou banho de chuveiro. E as lágrimas se misturaram com a o líquido que vem direto da cisterna financiada pelo governo.

Clareando (27/05/2008)

Mulheres bonitas, dois vendedores gays oferecem produtos e se oferecem, crianças rolam na areia, um barrigudo pesca peixes menores do que piabas feliz da vida. O mar puxa. Tudo isso emoldurado por um céu lindo e colorido, com nuvens que tentam se infiltrar, mas só conseguem clarear um pouco o azul.

Gotas (27/05/2008)

A morena que sai do mar, no Porto na Barra, não deve nada às deusas. As gotas que escorrem em seu corpo tentam retardar a descida para aproveitar um pouco mais aquela pele. Quanto a mim, ao vê-la se afastar, fecho os olhos, na tentativa de aprisioná-la para sempre na memória .

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Avalanche (14/03/2008)

Te amei tanto, que nunca consegui tê-la como desejava.

Vivi momentos, pensando nos seguintes; ainda tinha o medo de perder-te.

Tropecei em sentimentos, ferindo-me, seguidamente, nas pedras do sofrer.

E na avalanche que provoquei, soterrei tudo o que mais queria.